Em
se tratando de armas de
todos os países,
telescópios pendentes,
anéis de Jack Sparrow,
moedas de prata que na verdade
parecem ser de latão,
o livro do Código
dos Piratas e praticamente
qualquer coisa que se possa
imaginar em um mundo pirata,
pode-se confiar no aderecista-chefe
Kris Peck e em seu alegre
time que, por bem ou por
mal, aparece com os itens.
Com a ajuda do armeiro Harry
Lu e do conselheiro histórico
Peter Twist, Peck encontrou
ou fabricou uma variedade
de armas para os piratas
de todos os países,
para os tripulantes incrustados
do Flying Dutchman e para
as tropas da Companhia das
Índias Orientais.
Como o próprio Gore
Verbinski é o primeiro
a destacar: fazer cinema
é uma arte de colaboração.
E nos últimos doze
anos, um dos mais próximos
colaboradores do diretor
foi James Ward Byrkit, um
verdadeiro pau-pra-toda-obra
que, embora não seja
visto e (até agora,
pelo menos) seja pouco conhecido
dos milhões de fãs
da trilogia Piratas, fez
contribuições
indeléveis aos filmes
em diversos níveis.
O crédito de Byrkit
no final do filme é
o muito enigmático
“consultor conceitual”.
Ele explica: “Nós
tínhamos que criar
nosso próprio crédito,
porque o que eu fazia acabou
se tornando muito mais do
que estava nos storyboards.
Gore e eu começamos
a trabalhar juntos quando
ele dirigia comerciais,
e era eu quem fazia os storyboards
para ele. Então,
quando ele começou
a fazer cinema, ele me levava
de vez em quando e meu trabalho
foi ampliado. Para Piratas,
nós conversávamos
sobre o roteiro, a história,
os temas, os personagens,
coisas que estão
além do tradicional
desenho do storyboard. A
melhor parte dos filmes
como Piratas do Caribe é
que tem muito espaço
para criatividade.”
Além de mais de 3.000
storyboards para O Baú
da Morte (Dead Man’s
Chest) e No Fim do Mundo
(At World’s End) criados
por Byrkit (ele também
fez três semanas de
consultoria em A Maldição
do Pérola Negra,
quando fez o primeiro desenho
do Pérola e dos outros
barcos), ele ainda interagia
com outros departamentos
como o de desenho de produção,
o de adereços e com
a equipe de pré-visualização,
ajudando a Verbinski durante
as filmagens com animação
simplificada da realização
das incríveis e complexas
seqüências de
ação que estavam
apenas no papel, e depois
nos efeitos visuais da Industrial
Light + Magic. Um dos projetos
que de fato comprovou a
sinergia entre os artistas
nos bastidores foi o mapa
mágico que leva a
lugares desconhecidos que
nossos anti-heróis
roubam do lorde pirata de
Cingapura, o capitão
Sao Fend, em No Fim do Mundo
(At World’s End) e
que os levará a...
bem... não apenas
ao Fim do Mundo, mas a lugares
bem além, e até
de cabeça para baixo.
“Nós fazíamos
grandes reuniões
em julho de 2005 nas quais
Gore convocava todo mundo”,
recorda Byrkit. “Ele
sabia que iria precisar
de um mapa especial, mas
não sabia que formato
ele deveria ter. Só
sabia que queria que fosse
algo especial e inédito.
Ele também queria
que o mapa tivesse segredos:
que talvez mudasse de forma
ou que revelasse coisas.
Nós criamos coisas
variadas como um livro tipo
pop-up no qual você
pega o centro do mapa e
o retira como uma lanterna
chinesa, ou a idéia
de que se uma luz fosse
colocada por baixo do mapa
ele projetaria todo o universo,
como um planetário,
no teto ou na parede.
Na verdade, eu comprei um
monte de lanternas chinesas
e tentei pintar um globo
nelas. Passei quase uma
semana fazendo pesquisas
e desenvolvendo o projeto,
tentando ver se funcionava.
E depois de uma semana,
eu sabia que não
ia dar certo. “Então
voltamos para minha idéia
inicial, de um mapa circular
com anéis que representavam
metaforicamente os lugares
aos quais se podia ir, o
que na minha opinião
tinha relação
com o tema Piratas como
um todo. Gore e eu conversávamos
sobre a noção
de que Piratas do Caribe
se passa durante uma certa
época da história
na qual os mapas ainda não
estavam completos, o que
significava que tudo era
possível no mundo.
Há muitos lugares
que são Terra Incognita,
terras desconhecidas –
então elas podiam
abrigar monstros, podiam
ter magia ou novas civilizações.
Eu adoro a idéia
de que este mapa era muito
antigo, feito antes do Iluminismo,
antes de o homem se tornar
tão científico
na cartografia, quando ele
ainda queimava as realidades
geográficas como
jornadas internas metafóricas
que são tão
importantes quanto as jornadas
físicas. “Quando
eu mostrei o protótipo
do mapa circular a Gore”,
continua Byrkit, ele disse:
‘É isto! Não
só os anéis
se moviam, mas também
era preciso que formas começassem
a surgir e que pedaços
de terra se tornassem aparentes.’
Eu voltei e, com base nas
diversas conversas que tive
com Gore e em suas sugestões,
pintei um mapa final, que
levou vários meses,
porque não parava
de evoluir. Os anéis
podem se alinhar de infinitas
maneiras, como combinações
de um cadeado, e cada um
deles revelava um novo segredo,
algum território
desconhecido, algum lugar
inexplorado, metafórico
ou um universo paralelo.
“Levamos de sete a
oito meses para inserir
todos os elementos, testá-los
e fazer de modo correto.
Eu tinha diversas frases
e nomes de lugares que precisei
que fossem escritos em caligrafia
chinesa; então o
aderecista-chefe Kris Peck
trouxe um especialista chamado
J.C. Brown, que trabalhara
em filmes como O Último
Samurai (The Last Samurai)
e Memórias de uma
Gueixa (Memoirs of a Geisha),
para garantir que os caracteres
ficassem corretos. A pintura
original foi feita em washi
– papel de arroz japonês,
feito à mão
– que eu tratei com
camadas e camadas de guache
transparente, tinta acrílica
e artística. Ficou
com uma textura realmente
surpreendente, e você
diz que ele tem história.
Ao longo dos séculos,
piratas acrescentaram seus
próprios segredos,
inseriram observações,
de forma que o mapa tem
mistérios ilimitados.”
O mapa final, marcado pela
passagem do tempo, foi convertido
por Peck no adereço
final e os mecanismos que
fazem os anéis girarem
de forma prática
foram criados, sem nenhum
auxílio de computação
gráfica. “Os
mecanismos do mapa são
realmente muito bonitos”,
diz Byrkit: “na categoria
de avô dos relógios.”
Além dos lugares
poéticos do mapa,
mostrados com caligrafia
chinesa, como: “Fantasmas
de Almas Vagando Perdidas
no Mar Esperando para Serem
Conduzidas pela Passagens
das Águas”,
“Marinheiros Esquecidos
Dormindo de Olhos Abertos
Sonhando com uma Morte em
Águas Salgadas”
e “O Homem Rico Não
Vê Mais Sentido em
Continuar a Viver –
A Morte Terá Sempre
Ficado Para Trás”,
há também
pinturas de diversas criaturas
reais e mitológicas
no mapa, incluindo as de
um dragão, de um
tigre, e de uma outra pequena
criatura que curiosamente
parece ser um primeiro esboço
de um certo animalzinho
que viria a se tornar o
rato mais famoso do mundo.
Mas quando perguntado sobre
isso, Byrkit apenas dá
um sorriso maroto, e diz:
“Há certos
segredos no mapa que estão
além da minha compreensão!”
Como a figurinista Penny
Rose é a primeira
a destacar, o visual indelével
do capitão Jack Sparrow
- de pirata boêmio
– não muda
nunca, do primeiro ao último
filme. ”Bem, quase
nunca, explica ela: “Porque
se você olhar as mãos
expressivas e sempre em
movimento do capitão
Jack, você vai notar
que entre o primeiro e o
segundo filmes, a quantidade
de anéis em seus
dedos (quando não
em seus dedos do pé)
aumentou de um para quatro.
Em conversas entre Johnny
Depp e Penny Rose, eles
decidiram que o capitão
Jack teria tido algumas
mulheres, algumas muito
ricas, algumas viúvas,
outras cujos maridos faziam
longas viagens. Então,
de vez em quando, o Espirituoso
Jack (como Tia Dalma adequadamente
o chama) tem acesso às
suas caixas de jóias
e escolhe algumas, digamos
assim, para guardar como
uma lembrança do
encontro romântico.
Então ficou a cargo
de Kris Peck fornecer os
itens atuais, que foram
cuidadosamente escolhidos
por Depp, de acordo com
o que ele achou que o capitão
Jack gostaria mais de ostentar
como parte de seu visual
geral.
“O anel original com
a pequena caveira que eu
usei em A Maldição
do Pérola Negra (The
Curse of the Black Pearl)
eu encontrei há uns
17 anos em uma loja de bugigangas
ou algo parecido”,
recorda Depp, sobre como
conseguiu a jóia
que o capitão Jack
usa em seu dedo indicador
direito. No dedo anelar
de sua mão esquerda,
o bom capitão usa
um anel preto e dourado
com três diamantes
e um desenho floral, definitivamente
feminino e, sem dúvida,
uma de suas peças
de recordação
de uma noite de amor, ou
de duas horas ao lado de
uma senhora elegante de
boa ou má reputação
(Johnny Depp decidiu que
ela era, na verdade, uma
viúva espanhola).
O que Peck chama de “anel
dragão,” um
item grande com um gracioso
dragão dourado, asas
abertas e incrustadas em
jade, é visto no
dedo indicador da mão
esquerda de Jack. Entretanto,
em O Baú da Morte
(Dead Man’s Chest),
enquanto procurava os tesouros
de Tia Dalma no pântano,
Jack decidiu trocar o anel
dragão por um de
ouro com uma grande pedra
roxa, depois resolveu mudar
e o colocou no indicador
esquerdo e passou o anel
com o dragão para
o polegar esquerdo de forma
a enfeitar quatro de seus
dedos com acessórios
elegantes.
Esse anel roxo foi criado
por Kris Peck a partir de
um anel original de 2.400
anos que, na verdade, pertencia
a Johnny Depp até
que o destino pregou uma
peça e ele foi tragicamente
perdido durante as filmagens
de O Baú da Morte
(Dead Man’s Chest).
Parece que não era
só o capitão
Jack que tinha mão-leve!
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