…tudo
isso e muito mais ficou
sob a responsabilidade de
John Knoll e de Charles
Gibson, supervisores de
efeitos visuais da Industrial
Light + Magic, que dividiram
o prêmio da Academia®
por seu trabalho inovador
ao lado do supervisor de
animação,
Hall Hickle, em O Baú
da Morte (Dead Man’s
Chest). Para No Fim do Mundo
(At World’s End),
outro ganhador do Oscar®,
John Frazier, também
foi chamado para cuidar
de muitos dos efeitos especiais
físicos do filme.
Knoll, Gibson e Hickel tiveram
pouco tempo para descansar
sobre os louros do Oscar®
que receberam. Aquele era
apenas o olho do furacão,
pois logo depois de subirem
no pódio para receberem
a estatueta por O Baú
da Morte (Dead Man’s
Chest), o trio voltou a
trabalhar nas cerca de 200
cenas de efeitos especiais
para No Fim do Mundo (At
World’s End).
Mesmo no universo digital
de hoje, no qual um ou outro
filme parece ter efeitos
digitais complexos, o público
e a crítica especializada
louvam os efeitos vistos
nos filmes como um grande
e genuíno salto do
que é possível
conseguir na tela usando
tecnologia de última
geração.
Como sempre, Gore Verbinski
e Jerry Bruckheimer esperavam
que Knoll e Gibson elevassem
ainda mais o nível
de qualidade em No Fim do
Mundo (At World’s
End). “Este é
um projeto muito grande
para nós”,
admite Knoll. “Terá
muito mais cenas de efeitos
visuais do que em O Baú
da Morte (Dead Man’s
Chest) e, devido ao curtíssimo
intervalo de tempo disponível
para a pós-produção,
eu estou supervisionando
uma parte, Charlie Gibson
está supervisionando
outra e o restante foi distribuído
entre várias empresas
de efeitos visuais.
“Normalmente, quando
um desafio como este aparece”,
continua Knoll, “Você
pensa: ‘bem, como
vamos fazer isso e será
que há algum aspecto
que não somos capazes
de fazer com as ferramentas
de possuímos atualmente?’
E se a resposta é
‘sim’, eu tenho
que consultar o departamento
de pesquisa e desenvolvimento
para fazer algumas modificações
de forma que seja possível
viabilizar as cenas. E essa
é uma situação
que acontece com bastante
freqüência. Em
quase todos os filmes que
fazemos, nós implementamos
algo novo, ou usamos ferramentas
que precisam ser modificadas.”
Os cenários gigantescos
que Knoll e Gibson precisaram
fazer foram poderosas contribuições
– Os Domínios
de Davy Jones, Cingapura,
o Raio Verde e, é
claro, o Redemoinho gigante
que é o clímax
do filme – sempre
mesclando efeitos visuais
e mecânicos com efeitos
“in-camera”.
Knoll explica: “Gore
considera muito importante,
e eu concordo com ele, que
é preciso ter elementos
reais misturados. Quanto
mais real for possível
fazer, mais plausível
e realista fica o resultado
final. Gore sempre propõe
tentar usar elementos práticos
nos cenários, captar
o máximo possível
com a câmera e usar
efeitos visuais apenas onde
de fato seja necessário.
E diz também para
não confiar demais
em uma única técnica.
Então em uma cena,
por exemplo, temos uma extensão
do background que é
uma miniatura e em outra
cena utilizamos computação
gráfica. Desde que
alternemos um pouco as coisas,
o público tende a
não perceber os artifícios
de uma técnica em
particular, e nós
acabamos obtendo um resultado
melhor.”
Um aspecto de No Fim do
Mundo (At World’s
End) que não foi
uma preocupação
especial para Knoll foi
Davy Jones que, tendo sido
interpretado por Bill Nighy
e trazido à vida
pelo supervisor e equipe
de artistas da ILM, já
tinha surpreendido o mundo
em O Baú da Morte
(Dead Man’s Chest).
Para aquele filme, Knoll
e a ILM criaram um novo
sistema de captura de movimento
que chamaram de Imocap,
que simplificou drasticamente
o que era feito anteriormente.
Em vez de usar as 16 câmeras
exigidas, Knoll e sua equipe
inventaram um sistema completamente
móvel, que necessitava
apenas de três câmeras
e uma malha com sensores
nos atores, sem a incômoda
separação
de estúdio de som
e telas verdes que eram
a base do sistema antes
das inovações.
“Davy foi nosso grande
foco no segundo filme, e
eu acho temos todo o visual
e tecnologia necessários
neste ponto. Hal Hickel,
nosso supervisor de animação,
e sua equipe estão
agora familiarizados com
o personagem, então
temos um bom repertório
para trabalhar com Davy
e com sua tripulação
do Flying Dutchman. Na verdade,
os 16 principais membros
da tripulação
do Dutchman em O Baú
da Morte (Dead Man’s
Chest) foram acrescidos
em número em No Fim
do Mundo (At World’s
End), particularmente para
a seqüência do
redemoinho. Explica Knoll:
“Com certeza pegamos
alguns dos personagens que
faziam pano de fundo no
segundo filme e os trouxemos
para a linha de frente para
aumentar um pouco.”
Knoll admite que: “De
todos os três filmes,
provavelmente o aspecto
mais divertido tenha sido
nosso envolvimento na criação
de Davy Jones. Foi uma grande
parceria com Bill Nighy,
que teve um desempenho fantástico
nas filmagens e tudo sem
qualquer conceito real.
Sabe, você pedia que
ele vestisse o deselegante
pijama cinzento computadorizado
no cenário e nós
não podíamos
mostrar a ele como ficaria
na tela, mas ele mergulhava
de cabeça e fazia
grandes atuações,
criando um personagem fabuloso
e nos dando um material
fantástico para trabalhar.
Os artistas na ILM fizeram
um trabalho fabuloso de
modelagem, texturização,
iluminação
e finalização
que resultou em uma bela
animação.
Acho que Davy Jones é
um personagem realmente
especial em todos os aspectos.”
Para o extraordinário
desafio da pós-produção,
Knoll explica que: “Devido
ao tamanho do filme e ao
número de cenas que
tínhamos que terminar
por semana, precisávamos
de um feedback regular de
Gore. Então, dado
que ele estava tão
ocupado quanto nós
na pós-produção,
montando o filme, trabalhando
na sonoplastia, no ADR,
dando todos os toques finais
para concluir o filme, não
era conveniente para ele
pegar um avião de
Los Angeles até São
Francisco para ir a ILM.
E seria uma grande imposição
no meu tempo ir até
lá regularmente quando
o que eu realmente precisava
era estar com a minha equipe
na ILM. Assim sendo, fazíamos
videoconferências
duas vezes por semana, até
pelo menos as semanas finais.
E quando chegamos nas semanas
finais, fazíamos
videoconferências
todos os dias! “Nós
repassávamos todo
o progresso de nosso trabalho
em uma conferência
interativa de modo que Gore
podia ver as cenas em que
estávamos trabalhando.
Uma vez que muito do que
fazemos envolve gestos com
as mãos e coisa do
gênero, era importante
podermos nos ver enquanto
fazíamos isso.”
De todos os visuais bizarros
que a produção
de Piratas estava fazendo
- e Deus sabe que eram muitos
– talvez um dos mais
estranhos tenha sido o lançamento
de cerca de 175.000 bolas
azuis de plástico
leve de duas redes instaladas
em cima do hangar 9 em Palmdale,
por sobre o convés
do Pérola Negra,
que por sua vez estava montado
sobre uma plataforma flutuante.
A verdade é que elas
só pareciam bolas
azuis, mas eram, na verdade,
milhares de irrequietos
siris. Ou, pelo menos, deveriam
ser quando John Knoll e
a ILM finalizassem a cena.
Knoll explica: “Tem
uma cena importante durante
a seqüência do
redemoinho que envolve centenas
de crustáceos que
caem por todo o convés
do Pérola Negra e
derrubam todos que estão
no caminho como uma avalanche.
Gore teve a idéia
de usar bolas azuis de plástico,
como as que são encontradas
nas piscinas de bolas dos
parques infantis. Ele achou
que as bolas derrubariam
todos sem, de fato, machucar
ninguém porque elas
são muito leves.
“Eu estava inclinado
a tentar conseguir esse
efeito com dublês
digitais”, continua
Knoll: “e talvez usar
um tipo de cabeamento para
mostrar os piratas sendo
derrubados.” Gore
sempre sugere tentarmos
usar elementos práticos
nos cenários, tentarmos
captar o máximo possível
com a câmera e usarmos
efeitos visuais onde de
fato for necessário.
“Os próprios
siris são modelos
gerados por computação.
Nós construímos
uma versão detalhada
do siri e depois diversas
variações
sobre o mesmo tema.”
Quando as bolas caem da
rede sobre o barco, o nível
de maturidade de alguns
membros da equipe parecia
ter caído para uns
cinco ou seis anos de idade,
enquanto brincavam alegremente
de jogar bolas uns nos outros
em todas as direções
no Pérola Negra.
Gore Verbinski talvez tenha
sido o mais empolgado de
todos. E considerando que
estávamos no exaustante
dia 252 das filmagens, é
compreensível que
cerca de 300 caixas de bolas
azuis causassem uma instantânea
melhora no astral. “Foi
incrível ver um bando
de adultos - homens e mulheres
- agindo como crianças
de três anos”,
diz rindo o coordenador
de cenas de ação,
George Marshall Ruge. “Sabe,
ver Orlando Bloom atirar
uma bola azul em Geoffrey
Rush… foi algo único.
Foi tipo, já não
está na hora de os
pais pegarem seus filhos?”
Em resumo, Verbinski tentou
combinar o melhor do antigo
e do mais avançado.
Mike Stenson, produtor executivo
afirma: “Piratas é
uma combinação
única da era Lawrence
da Arábia, onde se
chega e se sai atirando
na frente da câmera,
com a mais avançada
tecnologia. Infelizmente,
eu não sei ao certo
quanto tempo a indústria
será capaz de suportar
isso. Acho que seria triste
se, no final, acabássemos
filmando tudo em estúdios
de som com telas verdes
e efeitos digitais e não
fossemos capazes de sair
e fazer uma cena real pelo
Caribe. Mas, por outro lado,
algo como o redemoinho é
tão difícil
tecnicamente que não
seria possível filmar
em locação
independentemente da verba
que tivéssemos. Teria
mesmo que ser feito em um
estúdio de efeitos.”
Além desse tremendo
trabalho de desenho e construção
das plataformas flutuantes
para o hangar de Palmdale,
John Frazier e sua equipe
de colaboradores de longa
data foram responsáveis
por um enorme número
de efeitos físicos.
“Nossa função
como homens de efeitos especiais
é: se tiver que se
mover ou se tiver algo a
ver com a atmosfera, nós
fazemos”, diz o artista
várias vezes ganhador
do Oscar®. “Podia
ser fumaça no ar,
ou o conceito do tipo apropriado
de chuva que Gore queria,
ou do vento, ou o fogo dos
canhões.” Na
verdade, a unidade pirotécnica
de Frazier forneceu nada
menos do que 446 quilos
de pólvora negra
para a batalha do redemoinho,
e detonou os canhões
cerca de 1.200 vezes. Os
ouvidos doloridos do elenco
e da equipe são provas
vivas da magia dos decibéis
dos efeitos especiais que
foram usados!
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