PIRATAS DO CARIBE - NO FIM DO MUNDO
Original: PIRATES OF THE CARIBBEAN AT WORLDS END
Produtora: WALT DISNEY
Ano de Produção: 2007

País de Origem:
EUA
O REDEMOINHO
Para a seqüência climática do Redemoinho de No Fim do Mundo (At World’s End) – uma enorme e apocalíptica batalha entre os piratas e a frota da Companhia das Índias Orientais acontece em meio a uma tempestade sobrenatural de proporções monumentais – os cineastas tiveram que achar um local no qual pudessem construir réplicas em tamanho real do Pérola Negra e do Flying Dutchman do convés para cima, bem como vários outros cenários. A única estrutura próxima a Los Angeles (ou talvez a única de qualquer lugar, com tais características) era o prédio número 703 do enigmaticamente chamado “Site 9”. O gigantesco hangar de 183 metros de comprimento, mais de 91 metros de largura e mais de 21 metros de altura na comunidade desértica de Palmdale, na Califórnia – a 93km dos estúdios Walt Disney em Burbank – foi construído pela Rockwell International em 1983 para a montagem de bombardeiros 100 B-1, e tinha servido nos últimos anos como estúdio de filmagem para vários filmes, incluindo O Terminal (The Terminal), de Steven Spielberg. “Esta é uma das seqüências de ação mais elaboradas e ambiciosas que eu já concebi para um filme”, admite Rick Heinrichs, “e exigiu coordenação de vários departamentos, entre eles o nosso, o de efeitos visuais e o de efeitos físicos. Se conseguíssemos 85% do que esperávamos, já seria extraordinário.” O produtor executivo Mike Stenson acrescenta: “Você entrava naquele hangar e não acreditava.”

Dentro do “Site 9”, Rick Heinrichs trabalhou em total sinergia com outro ganhador do prêmio da Academia®, o supervisor de efeitos especiais John Frazier (Homem-Aranha 2), para construir o Pérola e o Dutchman, do convés para cima, sobre enormes e muito sofisticadas bases móveis, cercadas de enormes telas azuis. “John Frazier é o melhor supervisor de feitos físicos que existe”, elogia Stenson. “Ninguém mais poderia realizar os elementos físicos dos efeitos especiais que nós fazemos neste filme.”

Frazier e sua equipe desenharam e construíram bases de movimento para os dois barcos principais, além de outra plataforma na qual o Hai Peng cai da extremidade do mundo, e a seqüência do "Raio Verde", na qual o Pérola Negra atravessa dois mundos ao virar completamente de cabeça para baixo no oceano. “O que resolvemos fazer em No Fim do Mundo (At World’s End) que nunca tinha sido feito antes em qualquer outro longa metragem”, explica Frazier, “foi colocar uma torre na extremidade dos dois barcos o que nos permitiu erguê-los a uma altura de 4 metros e meio. E ao fazer isso, conseguimos o movimento realista de um barco no oceano. Normalmente, nós movimentamos pelo centro, mas barcos não fazem isso. Neste caso, nós movimentávamos os barcos pelas extremidades para levantar e abaixar a proa, e tínhamos duas instalações hidráulicas de cada lado dos barcos que os faziam balançar.”

A construção em tamanho real do Pérola Negra e do Flying Dutchman sobre as bases de movimento de Frazier foi um trabalho de muita colaboração entre diversos departamentos. “Nós construímos as base em três meses, mas fizemos por partes. O departamento de construção, chefiado por Greg Callas, construiu os barcos em cima da nossa armação. Depois nós construímos as torres em cada extremidade dos barcos para que pudessem subir e descer. Depois criamos um sistema de computador para operá-los a partir de um controle. Tínhamos 150 técnicos de efeitos especiais no projeto que trabalharam 24 horas, 7 dias por semana. Eles nunca paravam. O pessoal do turno do dia cortava as peças e organizava e o pessoal da noite, igualmente talentoso, soldava tudo. Todas as 150 pessoas que trabalharam neste projeto contribuíram com 150 por cento. É um longo, longo processo sincronizar essas bases de movimento com o computador e isso exige muita paciência. É como ficar assistindo a uma tinta secar; mas nossa equipe de informática teve a paciência necessária e realizaram um trabalho maravilhoso. Eles não acionaram o sistema até que todas os elementos estivessem sincronizados com todos os gráficos. “A equipe de hidráulica também foi acionada”, continua Frazier. “São mais de 609 metros de mangueiras hidráulicas para operar as bases de movimento. Mais de 453 toneladas de barras de aço, parte das quais não existia e tivemos que fazer especialmente para o projeto. Ninguém nunca tinha feito isso antes, e foi uma grande honra para nós termos sido escolhidos para este projeto. “O tempo que tivemos para desenhar e criar este monstro, três barcos em três bases de movimento em três meses – foi algo inédito”, admite Frazier. “Antes disso, a maior base para cinema que havia sido construída foi para o U.S.S. Oklahoma do filme Pearl Harbor (Pearl Harbor), de Jerry Bruckheimer e, na época, afirmamos que jamais construiríamos algo maior do que aquilo. E então aparece No Fim do Mundo (At World’s End) e é com certeza a maior coisa que já fizemos e não consigo imaginar isso acontecendo de novo. Este é o Super Bowl dos longas-metragens."

Quando os barcos e as gigantescas bases – cada um pesando mais de 453 toneladas – tiveram de ser transferidos de um lado para o outro do “Site 9”, mancais de pneumáticos de alta tecnologia e aparência simples foram acionados, algo parecido com um mini veículo capaz de carregar 60 toneladas. “É o melhor modo de transportar tantas toneladas”, explica John Frazier. “Se você puder imaginar um jogo de hóquei de ar ao contrário, é isso que estávamos fazendo, pegando a mesa e colocando por cima e deixando o disco mover-se à vontade. O mais importante na questão da mobilidade dos barcos não é movimentá-los é pará-los. Uma vez que você pega aquele peso e cria aquela inércia, fica muito difícil parar. De forma que usamos grandes forquilhas elevadas de 5,4 toneladas e amarramos na base de movimento de forma que a tivéssemos sob controle. Nós podíamos literalmente mover as bases e os barcos em qualquer lugar do hangar que quiséssemos.”

Para a iluminação especial exigida para qualquer seqüência com tela azul, o diretor de fotografia Dariusz Wolski e seu iluminador-chefe Raphael Sanchez desenharam uma incrível e complexa rede com 1.400 luzes espaciais, bem como instalaram umas 40 lâmpadas ao redor da tela verde de 18,3 metros de altura, que circunda os barcos além de caminhões-geradores com capacidade de 10.000 ampéres, 96 quilômetros de cabos e 3.000 freqüências para as mesas de luz. “Nós geramos 108.000 kW de energia”, diz o produtor executivo Eric McLeod, “literalmente o suficiente para iluminar 500 casas.”
Frazier e sua equipe de técnicos especialistas também desenharam um sistema de canos e esguichos instalado no teto do hangar que soltava verdadeiros temporais sobre os barcos (e também sobre os atores, dublês e equipe), com o auxílio de vários ventiladores gigantescos capazes de gerar ventos de mais de 302 quilômetros por hora. A chuva teve que ser cuidadosamente calibrada e desenvolvida por John Frazier e sua equipe. “Nós começamos testando os cabeçotes de chuva durante várias semanas e finalmente conseguimos o visual que Gore queria”, conta o supervisor de efeitos especiais. “Então tivemos que trocar os cabeçotes, porque quando Gore estava filmando em close, ele não queria grossas gotas de chuva caindo sobre as pessoas.“ Precisávamos de algo mais sutil. Então trocávamos os cabeçotes dependendo do tipo de filmagem. “Devido ao tamanho do Pérola Negra e do Flying Dutchman, devemos ter bombeado cerca de 95.000 litros de água por minuto. Isso é mais chuva do que jamais foi criado em um estúdio de som para um filme. Nós instalamos tanques fora do hangar, ligávamos as bombas, filtrávamos e aquecíamos água; então basicamente o que tínhamos era uma enxurrada violenta. Bombeávamos a água que subia a uma altura de mais de 24 metros, caia no chão do set e ia para um corredor de escoamento que foi originalmente construído no chão e voltava para os tanques que estavam lá fora, onde era reciclada e retornava.”

Gore Verbinski e sua equipe usavam equipamentos de proteção que evitavam, o máximo possível, que suas costas ficassem muito molhadas. O elenco e os dublês não tiveram tanta sorte. Keira Knightley conta: “Você se caracterizava e tinha que usar uma roupa de mergulho por baixo, o que obviamente tornava uma visita ao banheiro algo realmente complicado. Então eles faziam chover e você ficava ensopado em 10 segundos. Eu sentia pena da equipe, porque eles ficavam lá o dia todo. Algumas vezes a chuva é tão pesada que você não conseguia enxergar. Quando o Pérola Negra e o Flying Dutchman estão lado a lado, nós trabalhamos com uma inclinação de 15 por cento, na qual você tinha que subir lutando com uma espada sob a chuva torrencial e com toda uma equipe de câmeras ao seu redor. Vai ficar ótimo mas, com certeza, é muito difícil de se fazer.” “Eu não chamaria de interpretar, eu chamaria de sobreviver”, afirma rindo, Orlando Bloom. “É meio brutal ficar molhado das 8 horas da manhã às 8 horas da noite.. Mesmo que eles parassem a chuva entre as cenas, você ainda continuava molhado o tempo todo, e eu estaria mentindo se dissesse que foi divertido. Mas foi difícil para todos, não só para os atores. E no final das contas nós todos temos confiança no produto final e sabemos que terá valido a pena.” “O redemoinho é como um dilúvio bíblico do inferno e nós fizemos as filmagens do mesmo modo que Cecil B. DeMille provavelmente teria feito”, diz Geoffrey Rush. “Foi sem sombra de dúvida gigantesco.” “Nós fugimos dos furacões nas Bahamas”, acrescenta Johnny Depp, “filmamos em Dominica durante a temporada de chuvas na floresta tropical e depois fomos para o deserto, em Palmdale; filmamos sob uma tempestade torrencial e com ventos de 75 nós dentro de um gigantesco hangar em um barco com 15 por cento de inclinação sobre uma plataforma de movimento. Mais uma vez, esta é outra daquelas situações tão malucas que você simplesmente não questiona mais nada; ‘Johnny, nós vamos fazer uma viagem de carro de uma hora e meia até o deserto, você vai subir a bordo do Pérola Negra e do Flying Dutchman construídos sobre plataformas gigantes e nós vamos encharcar você e submetê-lo a ventos fortes enquanto você luta com uma espada em um piso inclinado.’” E você apenas diz: ‘Tá bem, ótimo. Sem problema.’”

Um aspecto da filmagem do redemoinho – que durou quase quatro meses – foi a mudança climática do lado fora do hangar no deserto de Palmdale, do calor escaldante de mais de 43ºC graus Celsius de meados de setembro a gelados -6ºC / à noite, no início de dezembro. Não era tão mau se você pudesse ficar dentro de algum lugar, mas o acampamento base ficava do lado de fora, e era necessário passar por um segundo hangar que abrigava 50 estações de maquiagem para figurantes, além de lugares para refeições. Mais cedo ou mais tarde, os atores, dublês e figurantes encharcados tiveram que se expor à fúria dos elementos, ao calor sufocante ou ao frio congelante, sem contar que algumas vezes os cortantes ventos do deserto arrasavam as paisagens. “Obviamente, o clímax do redemoinho foi o mais espetacular e desafiador para nós em No Fim do Mundo (At World’s End)", afirma o coordenador de cenas de ação George Marshall Ruge. “Todo o elenco principal estava envolvido e havia vários enredos sendo interpretados na ação épica.” Para esse enorme confronto final, navio a navio, entre os piratas e a Companhia das Índias Orientais, Ruge coordenou as seqüências de ação nas Bahamas e dentro do gigantesco “Site 9” usado para a filmagem em Palmdale, na Califórnia. “Uma vez que os barcos usados na Grand Bahama não haviam sido especialmente desenhados para cenas de ação, nós tivemos que ser muito criativos para estruturar as cenas”, diz Ruge. “Os barcos e os piratas dentro deles são fortemente bombardeados por canhões. Nós usamos várias rampas de ar e cordas para dar a ilusão de que nossos dublês de piratas estavam sendo atingidos. E por estas serem peças flutuantes, nós tivemos o luxo de poder fazer a ação também na água em determinados momentos. “Dentro do hangar em Palmdale, tínhamos pelo menos a sorte de estar em um ambiente fechado e não ter que nos preocupar com os elementos naturais, mas enfrentamos uma nova série de desafios trazidos pelo imenso número de efeitos físicos e visuais que a seqüência exigia”, conta Ruge.

Os astros se viram pendurados na lateral do Pérola Negra graças a existência da "plataforma inclinada" de John Frazier, na seqüência do Raio Verde, que se tornou um importante elemento de ação. “Foi muito assustador, realmente muito assustador”, admite Naomie Harris. “A única coisa que me impediu de gritar foi o fato de eu ter sido baixada e ninguém estar gritando, então eu teria me sentido uma idiota, mas eu realmente queria gritar.” O Raio Verde foi uma combinação de cenas filmadas com o verdadeiro Pérola Negra, no tanque na Ilha Grand Bahama, pelo coordenador de efeitos especiais Allen Hall e sua equipe; as de um Pérola cenográfico instalado na plataforma inclinada de John Frazier no hangar em Palmdale; e tomadas subaquáticas feitas em outro tanque na seção Falls Lake dos estúdios da Universal.

A cena em que o Hai Peng cai no fim do mundo também foi um complexo quebra-cabeça cinemático que evoluiu ao longo dos meses. “Começamos filmando áreas a partir de um rebocador na Groenlândia”, explica o produtor executivo Eric McLeod. “Apenas esta seqüência foi filmada quase dois anos antes. Nós também filmamos em Niagara Falls. E, a partir de então, tínhamos uma base de movimento especialmente construída para o Hai Peng que ocupa mais de 30 metros do set e vira em um ângulo de 90 graus. Nós filmamos a porção com diálogos a uma altura de cerca de 1,20m no Hai Peng de tamanho real e depois trouxemos um enorme guindaste, colocamos o Hai Peng cenográfico na base de movimento, amarramos o elenco e a equipe dentro do barco com cordas de segurança, e então viramos. Você fica meio nervoso de ver seu elenco pendurado lá. A princípio, todos estavam um pouco tímidos e reservados, mas depois dava pra mandá-los fazer o que você quisesse. É tipo: ‘Ah, você tem que pular do barco, pegar uma corda e ficar pendurado em um ângulo de 90 graus com cadeiras e barris caindo do convés em cima de você, e todo mundo diz: ‘Ah, certo. Está ótimo. Eu consigo fazer isso.’”

Nas ondas, por vezes estava – literalmente – o diretor de fotografia Dariusz (Darek) Wolski que, junto com sua equipe de operadores de câmera, claquetes, carregadores de filmes e assistentes, bem como o maquinista-chefe (Pop) Popovich e o técnico-chefe de iluminação Rafael (Raffi) Sanchez, enfrentou todo tipo de desafio impossível com um alto nível de improvisação criativa. “Nós tivemos uma oportunidade incrível nestes filmes de experimentar outras formas de filmar”, diz Wolski. “Nós filmamos coisas bastante impossíveis: na selva, na água, embaixo d'água, em buracos escuros, em estúdios de som, em planaltos de sal super brilhantes. Em termos de escala, eu nunca serei capaz de ultrapassar O Baú da Morte ‘(Dead Man’s Chest). Para se ir mais além, você teria que ir na direção totalmente oposta.”

Na fase de pós-produção, ficou nas mãos de John Knoll e sua equipe da ILM fornecer os ambientes, incluindo o mar turbulento, encrespado e assustador do redemoinho de mais de 1.600 metros que ameaça qualquer barco que se aproxima de seu vórtice. “Visualmente, era uma idéia muito ousada”, admite Knoll, “mas não há como fazer isso de outra maneira. Então toda a água teve que ser gerada por computação gráfica e é muito difícil fazer isso de forma realista. Nós vamos acabar com aproximadamente 400 cenas de efeitos visuais nessa seqüência, com chuvas, ondas gigantes, arrebentações, cristas espumosas e rajadas. São certamente, todas elas, coisas complicadas de serem executadas. “O que está acontecendo no primeiro plano é bem complicado também”, explica Knoll. “Há uma enorme batalha entre o Pérola Negra e o Flying Dutchman, então temos personagens gerados por computador no meio da chuva, dos elementos atmosféricos e das madeiras estilhaçadas. Sem mencionar as centenas de piratas e barcos da Companhia das Índias Orientais que são vistos na seqüência.”
NOTAS DA PRODUÇÃO
Sobre A Produção
Toda Saga Deve Ter Um Começo...
Cingapura
Retorno Às Bahamas
Verdadeiros Marujos Em Utah E A Volta Para A Califórnia
A Corte Da Confraria
O Redemoinho
Vestidos Para O Sucesso
Criadores De Piratas
Efeitos Especiais - Redemoinho, Capitães Com Cara De Polvo E Bolas Azuis…
Adereços - Armas, Mapas, Anéis E Tudo Mais
O Final Da História Do Capitão Jack - No Fim Da Produção
Adeus No Havaí
Sobre O Elenco
Sobre A Equipe Técnica
Creditos
 

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