Para
a seqüência climática
do Redemoinho de No Fim
do Mundo (At World’s
End) – uma enorme
e apocalíptica batalha
entre os piratas e a frota
da Companhia das Índias
Orientais acontece em meio
a uma tempestade sobrenatural
de proporções
monumentais – os cineastas
tiveram que achar um local
no qual pudessem construir
réplicas em tamanho
real do Pérola Negra
e do Flying Dutchman do
convés para cima,
bem como vários outros
cenários. A única
estrutura próxima
a Los Angeles (ou talvez
a única de qualquer
lugar, com tais características)
era o prédio número
703 do enigmaticamente chamado
“Site 9”. O
gigantesco hangar de 183
metros de comprimento, mais
de 91 metros de largura
e mais de 21 metros de altura
na comunidade desértica
de Palmdale, na Califórnia
– a 93km dos estúdios
Walt Disney em Burbank –
foi construído pela
Rockwell International em
1983 para a montagem de
bombardeiros 100 B-1, e
tinha servido nos últimos
anos como estúdio
de filmagem para vários
filmes, incluindo O Terminal
(The Terminal), de Steven
Spielberg. “Esta é
uma das seqüências
de ação mais
elaboradas e ambiciosas
que eu já concebi
para um filme”, admite
Rick Heinrichs, “e
exigiu coordenação
de vários departamentos,
entre eles o nosso, o de
efeitos visuais e o de efeitos
físicos. Se conseguíssemos
85% do que esperávamos,
já seria extraordinário.”
O produtor executivo Mike
Stenson acrescenta: “Você
entrava naquele hangar e
não acreditava.”
Dentro do “Site 9”,
Rick Heinrichs trabalhou
em total sinergia com outro
ganhador do prêmio
da Academia®, o supervisor
de efeitos especiais John
Frazier (Homem-Aranha 2),
para construir o Pérola
e o Dutchman, do convés
para cima, sobre enormes
e muito sofisticadas bases
móveis, cercadas
de enormes telas azuis.
“John Frazier é
o melhor supervisor de feitos
físicos que existe”,
elogia Stenson. “Ninguém
mais poderia realizar os
elementos físicos
dos efeitos especiais que
nós fazemos neste
filme.”
Frazier e sua equipe desenharam
e construíram bases
de movimento para os dois
barcos principais, além
de outra plataforma na qual
o Hai Peng cai da extremidade
do mundo, e a seqüência
do "Raio Verde",
na qual o Pérola
Negra atravessa dois mundos
ao virar completamente de
cabeça para baixo
no oceano. “O que
resolvemos fazer em No Fim
do Mundo (At World’s
End) que nunca tinha sido
feito antes em qualquer
outro longa metragem”,
explica Frazier, “foi
colocar uma torre na extremidade
dos dois barcos o que nos
permitiu erguê-los
a uma altura de 4 metros
e meio. E ao fazer isso,
conseguimos o movimento
realista de um barco no
oceano. Normalmente, nós
movimentamos pelo centro,
mas barcos não fazem
isso. Neste caso, nós
movimentávamos os
barcos pelas extremidades
para levantar e abaixar
a proa, e tínhamos
duas instalações
hidráulicas de cada
lado dos barcos que os faziam
balançar.”
A construção
em tamanho real do Pérola
Negra e do Flying Dutchman
sobre as bases de movimento
de Frazier foi um trabalho
de muita colaboração
entre diversos departamentos.
“Nós construímos
as base em três meses,
mas fizemos por partes.
O departamento de construção,
chefiado por Greg Callas,
construiu os barcos em cima
da nossa armação.
Depois nós construímos
as torres em cada extremidade
dos barcos para que pudessem
subir e descer. Depois criamos
um sistema de computador
para operá-los a
partir de um controle. Tínhamos
150 técnicos de efeitos
especiais no projeto que
trabalharam 24 horas, 7
dias por semana. Eles nunca
paravam. O pessoal do turno
do dia cortava as peças
e organizava e o pessoal
da noite, igualmente talentoso,
soldava tudo. Todas as 150
pessoas que trabalharam
neste projeto contribuíram
com 150 por cento. É
um longo, longo processo
sincronizar essas bases
de movimento com o computador
e isso exige muita paciência.
É como ficar assistindo
a uma tinta secar; mas nossa
equipe de informática
teve a paciência necessária
e realizaram um trabalho
maravilhoso. Eles não
acionaram o sistema até
que todas os elementos estivessem
sincronizados com todos
os gráficos. “A
equipe de hidráulica
também foi acionada”,
continua Frazier. “São
mais de 609 metros de mangueiras
hidráulicas para
operar as bases de movimento.
Mais de 453 toneladas de
barras de aço, parte
das quais não existia
e tivemos que fazer especialmente
para o projeto. Ninguém
nunca tinha feito isso antes,
e foi uma grande honra para
nós termos sido escolhidos
para este projeto. “O
tempo que tivemos para desenhar
e criar este monstro, três
barcos em três bases
de movimento em três
meses – foi algo inédito”,
admite Frazier. “Antes
disso, a maior base para
cinema que havia sido construída
foi para o U.S.S. Oklahoma
do filme Pearl Harbor (Pearl
Harbor), de Jerry Bruckheimer
e, na época, afirmamos
que jamais construiríamos
algo maior do que aquilo.
E então aparece No
Fim do Mundo (At World’s
End) e é com certeza
a maior coisa que já
fizemos e não consigo
imaginar isso acontecendo
de novo. Este é o
Super Bowl dos longas-metragens."
Quando os barcos e as gigantescas
bases – cada um pesando
mais de 453 toneladas –
tiveram de ser transferidos
de um lado para o outro
do “Site 9”,
mancais de pneumáticos
de alta tecnologia e aparência
simples foram acionados,
algo parecido com um mini
veículo capaz de
carregar 60 toneladas. “É
o melhor modo de transportar
tantas toneladas”,
explica John Frazier. “Se
você puder imaginar
um jogo de hóquei
de ar ao contrário,
é isso que estávamos
fazendo, pegando a mesa
e colocando por cima e deixando
o disco mover-se à
vontade. O mais importante
na questão da mobilidade
dos barcos não é
movimentá-los é
pará-los. Uma vez
que você pega aquele
peso e cria aquela inércia,
fica muito difícil
parar. De forma que usamos
grandes forquilhas elevadas
de 5,4 toneladas e amarramos
na base de movimento de
forma que a tivéssemos
sob controle. Nós
podíamos literalmente
mover as bases e os barcos
em qualquer lugar do hangar
que quiséssemos.”
Para a iluminação
especial exigida para qualquer
seqüência com
tela azul, o diretor de
fotografia Dariusz Wolski
e seu iluminador-chefe Raphael
Sanchez desenharam uma incrível
e complexa rede com 1.400
luzes espaciais, bem como
instalaram umas 40 lâmpadas
ao redor da tela verde de
18,3 metros de altura, que
circunda os barcos além
de caminhões-geradores
com capacidade de 10.000
ampéres, 96 quilômetros
de cabos e 3.000 freqüências
para as mesas de luz. “Nós
geramos 108.000 kW de energia”,
diz o produtor executivo
Eric McLeod, “literalmente
o suficiente para iluminar
500 casas.”
Frazier e sua equipe de
técnicos especialistas
também desenharam
um sistema de canos e esguichos
instalado no teto do hangar
que soltava verdadeiros
temporais sobre os barcos
(e também sobre os
atores, dublês e equipe),
com o auxílio de
vários ventiladores
gigantescos capazes de gerar
ventos de mais de 302 quilômetros
por hora. A chuva teve que
ser cuidadosamente calibrada
e desenvolvida por John
Frazier e sua equipe. “Nós
começamos testando
os cabeçotes de chuva
durante várias semanas
e finalmente conseguimos
o visual que Gore queria”,
conta o supervisor de efeitos
especiais. “Então
tivemos que trocar os cabeçotes,
porque quando Gore estava
filmando em close, ele não
queria grossas gotas de
chuva caindo sobre as pessoas.“
Precisávamos de algo
mais sutil. Então
trocávamos os cabeçotes
dependendo do tipo de filmagem.
“Devido ao tamanho
do Pérola Negra e
do Flying Dutchman, devemos
ter bombeado cerca de 95.000
litros de água por
minuto. Isso é mais
chuva do que jamais foi
criado em um estúdio
de som para um filme. Nós
instalamos tanques fora
do hangar, ligávamos
as bombas, filtrávamos
e aquecíamos água;
então basicamente
o que tínhamos era
uma enxurrada violenta.
Bombeávamos a água
que subia a uma altura de
mais de 24 metros, caia
no chão do set e
ia para um corredor de escoamento
que foi originalmente construído
no chão e voltava
para os tanques que estavam
lá fora, onde era
reciclada e retornava.”
Gore Verbinski e sua equipe
usavam equipamentos de proteção
que evitavam, o máximo
possível, que suas
costas ficassem muito molhadas.
O elenco e os dublês
não tiveram tanta
sorte. Keira Knightley conta:
“Você se caracterizava
e tinha que usar uma roupa
de mergulho por baixo, o
que obviamente tornava uma
visita ao banheiro algo
realmente complicado. Então
eles faziam chover e você
ficava ensopado em 10 segundos.
Eu sentia pena da equipe,
porque eles ficavam lá
o dia todo. Algumas vezes
a chuva é tão
pesada que você não
conseguia enxergar. Quando
o Pérola Negra e
o Flying Dutchman estão
lado a lado, nós
trabalhamos com uma inclinação
de 15 por cento, na qual
você tinha que subir
lutando com uma espada sob
a chuva torrencial e com
toda uma equipe de câmeras
ao seu redor. Vai ficar
ótimo mas, com certeza,
é muito difícil
de se fazer.” “Eu
não chamaria de interpretar,
eu chamaria de sobreviver”,
afirma rindo, Orlando Bloom.
“É meio brutal
ficar molhado das 8 horas
da manhã às
8 horas da noite.. Mesmo
que eles parassem a chuva
entre as cenas, você
ainda continuava molhado
o tempo todo, e eu estaria
mentindo se dissesse que
foi divertido. Mas foi difícil
para todos, não só
para os atores. E no final
das contas nós todos
temos confiança no
produto final e sabemos
que terá valido a
pena.” “O redemoinho
é como um dilúvio
bíblico do inferno
e nós fizemos as
filmagens do mesmo modo
que Cecil B. DeMille provavelmente
teria feito”, diz
Geoffrey Rush. “Foi
sem sombra de dúvida
gigantesco.” “Nós
fugimos dos furacões
nas Bahamas”, acrescenta
Johnny Depp, “filmamos
em Dominica durante a temporada
de chuvas na floresta tropical
e depois fomos para o deserto,
em Palmdale; filmamos sob
uma tempestade torrencial
e com ventos de 75 nós
dentro de um gigantesco
hangar em um barco com 15
por cento de inclinação
sobre uma plataforma de
movimento. Mais uma vez,
esta é outra daquelas
situações
tão malucas que você
simplesmente não
questiona mais nada; ‘Johnny,
nós vamos fazer uma
viagem de carro de uma hora
e meia até o deserto,
você vai subir a bordo
do Pérola Negra e
do Flying Dutchman construídos
sobre plataformas gigantes
e nós vamos encharcar
você e submetê-lo
a ventos fortes enquanto
você luta com uma
espada em um piso inclinado.’”
E você apenas diz:
‘Tá bem, ótimo.
Sem problema.’”
Um aspecto da filmagem do
redemoinho – que durou
quase quatro meses –
foi a mudança climática
do lado fora do hangar no
deserto de Palmdale, do
calor escaldante de mais
de 43ºC graus Celsius
de meados de setembro a
gelados -6ºC / à
noite, no início
de dezembro. Não
era tão mau se você
pudesse ficar dentro de
algum lugar, mas o acampamento
base ficava do lado de fora,
e era necessário
passar por um segundo hangar
que abrigava 50 estações
de maquiagem para figurantes,
além de lugares para
refeições.
Mais cedo ou mais tarde,
os atores, dublês
e figurantes encharcados
tiveram que se expor à
fúria dos elementos,
ao calor sufocante ou ao
frio congelante, sem contar
que algumas vezes os cortantes
ventos do deserto arrasavam
as paisagens. “Obviamente,
o clímax do redemoinho
foi o mais espetacular e
desafiador para nós
em No Fim do Mundo (At World’s
End)", afirma o coordenador
de cenas de ação
George Marshall Ruge. “Todo
o elenco principal estava
envolvido e havia vários
enredos sendo interpretados
na ação épica.”
Para esse enorme confronto
final, navio a navio, entre
os piratas e a Companhia
das Índias Orientais,
Ruge coordenou as seqüências
de ação nas
Bahamas e dentro do gigantesco
“Site 9” usado
para a filmagem em Palmdale,
na Califórnia. “Uma
vez que os barcos usados
na Grand Bahama não
haviam sido especialmente
desenhados para cenas de
ação, nós
tivemos que ser muito criativos
para estruturar as cenas”,
diz Ruge. “Os barcos
e os piratas dentro deles
são fortemente bombardeados
por canhões. Nós
usamos várias rampas
de ar e cordas para dar
a ilusão de que nossos
dublês de piratas
estavam sendo atingidos.
E por estas serem peças
flutuantes, nós tivemos
o luxo de poder fazer a
ação também
na água em determinados
momentos. “Dentro
do hangar em Palmdale, tínhamos
pelo menos a sorte de estar
em um ambiente fechado e
não ter que nos preocupar
com os elementos naturais,
mas enfrentamos uma nova
série de desafios
trazidos pelo imenso número
de efeitos físicos
e visuais que a seqüência
exigia”, conta Ruge.
Os astros se viram pendurados
na lateral do Pérola
Negra graças a existência
da "plataforma inclinada"
de John Frazier, na seqüência
do Raio Verde, que se tornou
um importante elemento de
ação. “Foi
muito assustador, realmente
muito assustador”,
admite Naomie Harris. “A
única coisa que me
impediu de gritar foi o
fato de eu ter sido baixada
e ninguém estar gritando,
então eu teria me
sentido uma idiota, mas
eu realmente queria gritar.”
O Raio Verde foi uma combinação
de cenas filmadas com o
verdadeiro Pérola
Negra, no tanque na Ilha
Grand Bahama, pelo coordenador
de efeitos especiais Allen
Hall e sua equipe; as de
um Pérola cenográfico
instalado na plataforma
inclinada de John Frazier
no hangar em Palmdale; e
tomadas subaquáticas
feitas em outro tanque na
seção Falls
Lake dos estúdios
da Universal.
A cena em que o Hai Peng
cai no fim do mundo também
foi um complexo quebra-cabeça
cinemático que evoluiu
ao longo dos meses. “Começamos
filmando áreas a
partir de um rebocador na
Groenlândia”,
explica o produtor executivo
Eric McLeod. “Apenas
esta seqüência
foi filmada quase dois anos
antes. Nós também
filmamos em Niagara Falls.
E, a partir de então,
tínhamos uma base
de movimento especialmente
construída para o
Hai Peng que ocupa mais
de 30 metros do set e vira
em um ângulo de 90
graus. Nós filmamos
a porção com
diálogos a uma altura
de cerca de 1,20m no Hai
Peng de tamanho real e depois
trouxemos um enorme guindaste,
colocamos o Hai Peng cenográfico
na base de movimento, amarramos
o elenco e a equipe dentro
do barco com cordas de segurança,
e então viramos.
Você fica meio nervoso
de ver seu elenco pendurado
lá. A princípio,
todos estavam um pouco tímidos
e reservados, mas depois
dava pra mandá-los
fazer o que você quisesse.
É tipo: ‘Ah,
você tem que pular
do barco, pegar uma corda
e ficar pendurado em um
ângulo de 90 graus
com cadeiras e barris caindo
do convés em cima
de você, e todo mundo
diz: ‘Ah, certo. Está
ótimo. Eu consigo
fazer isso.’”
Nas ondas, por vezes estava
– literalmente –
o diretor de fotografia
Dariusz (Darek) Wolski que,
junto com sua equipe de
operadores de câmera,
claquetes, carregadores
de filmes e assistentes,
bem como o maquinista-chefe
(Pop) Popovich e o técnico-chefe
de iluminação
Rafael (Raffi) Sanchez,
enfrentou todo tipo de desafio
impossível com um
alto nível de improvisação
criativa. “Nós
tivemos uma oportunidade
incrível nestes filmes
de experimentar outras formas
de filmar”, diz Wolski.
“Nós filmamos
coisas bastante impossíveis:
na selva, na água,
embaixo d'água, em
buracos escuros, em estúdios
de som, em planaltos de
sal super brilhantes. Em
termos de escala, eu nunca
serei capaz de ultrapassar
O Baú da Morte ‘(Dead
Man’s Chest). Para
se ir mais além,
você teria que ir
na direção
totalmente oposta.”
Na fase de pós-produção,
ficou nas mãos de
John Knoll e sua equipe
da ILM fornecer os ambientes,
incluindo o mar turbulento,
encrespado e assustador
do redemoinho de mais de
1.600 metros que ameaça
qualquer barco que se aproxima
de seu vórtice. “Visualmente,
era uma idéia muito
ousada”, admite Knoll,
“mas não há
como fazer isso de outra
maneira. Então toda
a água teve que ser
gerada por computação
gráfica e é
muito difícil fazer
isso de forma realista.
Nós vamos acabar
com aproximadamente 400
cenas de efeitos visuais
nessa seqüência,
com chuvas, ondas gigantes,
arrebentações,
cristas espumosas e rajadas.
São certamente, todas
elas, coisas complicadas
de serem executadas. “O
que está acontecendo
no primeiro plano é
bem complicado também”,
explica Knoll. “Há
uma enorme batalha entre
o Pérola Negra e
o Flying Dutchman, então
temos personagens gerados
por computador no meio da
chuva, dos elementos atmosféricos
e das madeiras estilhaçadas.
Sem mencionar as centenas
de piratas e barcos da Companhia
das Índias Orientais
que são vistos na
seqüência.”
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