A
figurinista Penny Rose,
que já demonstrou
amplamente seu prodigioso
talento em A Maldição
do Pérola Negra (The
Curse of the Black Pearl)
e em O Baú da Morte
(Dead Man’s Chest),
ultrapassou o Portão
Mais Distante em No Fim
do Mundo (At World’s
End), ajudando a estender
o mundo pirata para muito
além do que foi mostrado
nos primeiros dois filmes.
“Nós fizemos
os piratas do Caribe mortos,
e agora vamos ter novos
ingredientes”, explica
Rose. “Temos muitas
informações
em imagens e textos sobre
pirataria de diferentes
partes do mundo. Eu preparo
os filmes em Londres, que
é uma base bastante
boa para este tipo de pesquisa”,
diz ela.
Rose e sua equipe literalmente
esquadrinharam o mundo dos
tecidos e materiais para
criar os milhares de trajes
exigidos para No Fim do
Mundo (At World’s
End). “Eu passei três
ou quatro semanas fazendo
compras em feiras têxteis
ou em lojas de tecidos antigos”,
conta ela. “Fui a
Roma, Madri, Paris, Nova
York e comprei pessoalmente
uma enorme quantidade de
material. Então levávamos
tudo para onde que fossemos…
tínhamos oficinas
em todas as ilhas e locações
em que filmamos, de modo
que tudo estivesse em um
único lugar. É
como seu eu tivesse uma
loja de brinquedos para
que quando os atores entrem
eu possa oferecer opções
e deixar que eles escolham,
porque eu gosto de tudo
que há aqui. É
muito importante que os
atores sejam envolvidos
no processo de escolha.
“O momento da prova
de figurinos com os atores
é o ponto alto do
trabalho. É ainda
mais importante e entusiasmante
para mim do que o resultado
financeiro do filme - fazer
com que os atores encontrem
visualmente o personagem
que estão interpretando.
É para isso que eu
estou aqui”, diz Rose.
Para No Fim do Mundo (At
World’s End), o desenvolvimento
da história e dos
personagens seguem em paralelo
com a mudança de
figurinos. Exceto, é
claro, o capitão
Jack Sparrow. “Jack
jamais pode mudar”,
afirma Rose. “Ele
não tem um armário
cheio de roupas. Ele é
o capitão Jack e
a roupa faz o homem. O mesmo
acontece com o capitão
Barbossa, de Geoffrey Rush.
Então, em relação
aos dois é simplesmente
uma questão de refazer
mais, mais e mais o que
já foi um desafio
porque foi muito difícil
encontrar tecidos originais.
“Por exemplo”,
Rose continua: “A
bandana do capitão
Jack foi feita por uma tribo
na Turquia, e eu tive que
enviar alguém até
lá para convencer
a mesma tribo a tecer mais
alguns metros. Nós
tentamos copiar o padrão
usando cânhamo e linho
francês antigo, mas
não ficou a mesma
coisa. Então as pessoas
da tribo fizeram mais de
90 metros.” “Nós
vemos um Will Turner mais
confiante e poderoso e uma
nova e eletrizante Elizabeth
Swann”, conta Rose.
“Demos a Orlando uma
veste de couro, uma camisa
cor de vinho escuro e um
belo casaco marrom. Acho
que é importante
que no terceiro filme você
fique um pouco confuso quanto
ao lado em que Will está,
então tivemos que
ajudar o personagem a parecer
um pouco mais obscuro, metaforicamente
falando. Ele tem um maravilhoso
casaco azul-marinho bem
escuro que confere ao personagem
um visual bastante romântico
e misterioso. “Keira
usa um traje chinês,
com uma touca ricamente
bordada combinando com a
gola, uma veste com borlas,
uma bata inteiramente bordada
em seda e, o que provavelmente
deveria ser uma saia, mas
que - por razões
práticas –
nós transformamos
em um culote, de modo que
quando ela fizesse as seqüências
de luta, ela pudesse tirar
a veste e os outros acessórios
e partir diretamente para
a ação”,
explica Rose.
Rose também desenhou
um deslumbrante traje para
o legendário Chow
Yun-Fat, que interpreta
o capitão Sao Feng
e cujo peso total chegou
a 15 quilos. “Yun-Fat
é o Laurence Olivier
do Oriente, e nós
levamos menos de 10 minutos
para perceber que ele sabe
exatamente o que quer”,
afirma Rose. “Yun-Fat
sabe como incorporar o personagem,
ele sabia que estávamos
ali para lhe dar o visual
específico e fez
todo possível para
nos ajudar. Essa atitude
logo evoluiu para um processo
de tomada de decisão
conjunta com relação
ao que o espelho refletia,
e para como podíamos
progredir e tornar o trabalho
ainda maior e melhor. Chow
Yun-Fat tem uma presença
forte, mas nós precisávamos
que este capitão
pirata chinês fosse
apavorante.”
A figurinista também
teve a oportunidade de desenhar
o traje de Bill Nighy em
uma cena retrospectiva na
qual o público vê
como Davy Jones era "antes
de passar anos e anos no
fundo do mar e de ficar
coberto de cracas. Nós
finalmente tiramos Bill
daquele pijama cinzento
que é a referência
para o CGI, o que fez com
que ele ficasse muito, muito
agradecido”, diz ela,
rindo. “Nós
decidimos fazer um figurino
fabuloso para Bill, porque
ele ficou muito aliviado
de estar livre do cinza.
Eu comprei linho adamascado
de uma fiação
na Umbria que ainda não
tínhamos usados e
tingimos lindamente. Achamos
que já que Bill era
um homem muito elegante,
Davy Jones poderia, talvez
no passado, ter sido um
sujeito bem vestido. Então
fizemos para ele um casaco
com corte quadrado de linho
adamascado.” Para
o filme, Rose também
desenhou os trajes dos bucaneiros
dos quatro cantos do mundo:
África, Oriente Médio,
Ásia, Europa e Américas.
Os destaques neste grupo
são os lordes piratas
que se reúnem na
Enseada dos Náufragos,
tendo como chefe o Guardião
do Código, o capitão
Teague… interpretado
pelo famoso guitarrista
Keith Richards. “Eu
tive muita sorte de ter
feito uma prova de roupa
com o sr. Richards em julho
de 2005, quando ele esteve
em Los Angeles pouco antes
dos ensaios da banda”,
relembra Rose. “E
isso aconteceu na semana
em que Johnny Depp não
estava trabalhando, então
pedi a ele para vir comigo,
e ele, muito gentilmente,
atendeu ao meu pedido. Devo
dizer que foi hilário
ver os dois juntos, porque
assim que Keith vestiu seu
figurino, ficou realmente
fácil acreditar que
os dois tinham algum parentesco.”
“Foi um momento bizarro”,
continua Rose, “afinal,
com que freqüência
você veste um ícone
do rock? (Bem, na verdade,
Rose já fez isso
antes... para Bob Geldof
em Pink Floyd: The Wall
e para Madonna em Evita).
Mas Keith estava morrendo
de vontade de virar um pirata.
Ele até queria sair
naquela mesma noite vestido
com o traje de pirata! Então
acho que ele gostou mesmo
do processo. “Cada
um dos lordes piratas tinha
uma identidade diferente
baseada em sua origem –
China, Índia, França,
Espanha, África –
além de suas comitivas.
Todos os tecidos que usei
foram diferentes para cada
grupo específico.”
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